Challah

Os dias vão passando aqui na roça, lentamente. Ainda que cada dia é um tanto de afazeres de não acabar mais, desde cuidar da horta, das minhas plantinhas e, agora, do galinheiro. Manter a casa habitável também é mais um tanto de tarefas e diversas, que requerem bons braços e par de pernas: um enche balde e torce pano, esfrega chão e limpa vidros, tira pó e organiza as coisas em seu devido lugar. A casa não é grande, como gosta de dizer meu marido, um sete por sete, que cabe exatamente nossa vidinha simples. Mas vida no barro, significa muita terra para dentro de casa. 

challah

Eu posso dizer que os dias são densos, mas uma densidade líquida, sem pressão. Dentro do nosso próprio tempo, em recortes orgânicos. Tem também que os tempos são espaçados, entre a nuvem que sobe a Serra e a chuva que cai no meio da tarde. A densidade é fluida, feito a seiva que corre vida pela mata, no ritmo de uma inspiração lenta e profunda, que preenche os pulmões para depois relaxar e despejar o ar quente pelas narinas. Como uma garrafa flutuando pelo infinito do oceano, balançando pelas águas, subindo e descendo, em direção à praia. É a vida das borboletas, que voam por um dia, a dançar pelo vento, felizes pelo calor do sol sobre suas asas de papel de seda.

Só tem que a gente não tem as mordomias de cidade grande, como pedir um delivery quando dá fome, ou a padaria na esquina de casa. E, eu nunca tinha vivido antes essa experiência, de ter que cozinhar todos os dias. Quando eu morava em São Paulo, gostava muito de cozinhar também, mas gostava de tomar o café da manhã no boteco ao lado de casa, comer um p.f. de vez em quando também, e às vezes passar em algum dos nossos restaurantes prediletos para jantar. Ou seja, ter que preparar o café da manhã, cozinhar o almoço e a janta TODOS OS DIAS, é uma experiência completamente nova para mim. E eu tenho que dizer que ESTOU AMANDO e me sentindo realmente uma dona de casa realizada, por mais ridículo que isso possa soar.

Mas é também um desafio, desses de dar vontade de comer um pão, e ter preguiça de percorrer 20 quilômetros até a cidade para comprar e matar a vontade. E não saber fazer pão. Então, eu vi uma postagem da rainha dos pães (e outros quitutes de vó, como já falei aqui uma vez), Goria Huk, e a foto de seu challah maravilhoso. Eu decidi que era meu dia de debutar e aprender a fazer um pão sozinha. O resultado você confere nas fotos a seguir. Quer dizer, essas fotos são da segunda tentativa de fazer o pão, que é bem fácil, por sinal. Abafa o caso das trocas de ingredientes que fiz na primeira vez, por não querer descer até a cidade para comprar o que faltava. 😅 

challah
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Challah | Receita original da Gória Huk

  • 250g de farinha de trigo

  • 01 colher de sopa de fermento fresco (1 pacote de 10g)

  • 01 ovo

  • 02 gemas

  • 01 colher de sopa de açúcar mascavo

  • 20ml de óleo de girassol

  • 80ml de água morna

  • 3/4 de colher de chá de sal

  • 02 colheres de chá de mel

  • 01 colher de chá de azeite de oliva

  • gergelim para polvilhar

Modo de Preparo

Dissolva o fermento fresco com o açúcar. Acrescente a água morna, 1 ovo inteiro mais  1 gema, o óleo de girassol. Mexa. Adicione a farinha e o sal. Com um gancho tipo raquete, bata o suficiente para formar uma massa (ainda bem pegajosa). Tire o batedor, cubra a tigela com um pano e deixe descansar 10 minutos.

Coloque um batedor tipo gancho e bata por 10 minutos. Retire a massa e em uma superfície com farinha, finalize a sova dobrando a massa algumas vezes. Forme uma bola, cubra e deixe crescer até dobrar de volume. Divida a massa em 4 partes iguais e modele cordões - veja passo a passo no post da Gória.

Depois de trançar e montar na fôrma, deixe crescendo por mais 30 minutos. Aqueça o forno a 250° C. Misture num recipiente 1 gema com o mel e o azeite. Com um pincel, passe a mistura sobre o pão. Polvilhe gergelim. Coloque o no forno, diminua para 220° e asse até dourar bem.