Brigadeiro de colher com Geléia de Amora

Não costumo comemorar a Páscoa. Quando criança, ganhava ovos de chocolate, é claro, e minha mãe fazia bacalhoada no domingo. Mas nunca houve um sentido religioso ou espiritual dentro de mim relacionada a esta data. Não sou católica, nem cristã, não sigo nenhuma religião. Tenho uma busca espiritual constante em minha vida, desde que me conheço por gente. Rezo, medito todos os dias, pratico yoga sempre que consigo. E tenho um mestre indiano, o Bhagwan Shree Rajneesh, ou Osho, que já partiu. Meu amor por ele, vem pelo amor que meu companheiro, discípulo há mais de 30 anos, tem por ele. Eu nunca li muito dos seus livros, transcrições de seus satsangs. Mas eu adorava seu sorriso e seu silêncio em seus discursos. Ele dizia que seus sannyasins eram os mais alegres, festeiros e criativos desse mundo. E ele estava certo. A gente está sempre em celebração.

Estou escrevendo isso, 3 semanas após ter assistido ao documentário-série do Netflix, Wild Wild Country, de uma tacada só, 6 episódios seguidos. Eu não conhecia a história da comunidade em Oregon. Sabia que fora polêmica e que a coisa tinha ficado feia no final. O seriado mostra pouco do Osho em si; o foco ficou na história do rancho e a briga com os caipiras. Me emocionei demais com a construção daquele lugar fabuloso. Da beleza das pessoas e do amor delas pelo mestre. Mas fiquei triste e mexida de uma maneira ruim, com as cagadas (não consigo pensar em outra palavra) da Sheela e sua panelinha, do ódio e preconceito do entorno, e de como tiveram a capacidade de rotular o amor livre em terrorismo.

O que eu posso dizer de tudo isso? Hoje, a gente tem mais tecnologia, informações e conhecimento disponíveis para quem quiser procurar, livros do Osho em prateleiras de todas livrarias. Mas o mundo continua conservador, chato e intolerante como nunca, por conta do medo e da ignorância. É difícil acreditar que isso um dia irá mudar. Enfim, meu coração ficou na mão, mas eu continuo buscando meu caminho. Meu amor pelo Osho e minha gratidão pela sua vida, coragem e entrega são ainda maiores depois de tudo isso, depois de ter assistido ao documentário completo. E acho que os "vermelhinhos" irão concordar comigo. 


Antes que algum hater de plantão comece a destilar seu veneno por aqui, quero deixar claro que não concordo com tudo que Osho dizia. Diferente de qualquer outro mestre, ele não pregava ou doutrinava em seus discursos. Muito pelo contrário, ele te convidava a duvidar de tudo que dizia, e descobrir a verdade através de sua própria experiência. Às vezes contradizia seus próprios discursos, propositalmente. Era um mestre muito singular.


"Eu gostaria que meus sannyasins vivessem a vida em sua totalidade, mas com uma condição absoluta, uma condição categórica: e essa condição é consciência e meditação.
Primeiro, vá fundo na meditação, de modo que você possa limpar a sua inconsciência de todas as sementes venenosas, de modo que nada exista para ser corrompido e nada exista dentro de você cujo poder possa trazê-lo para fora.
Então, a partir de então, faça tudo o que tiver vontade de fazer."

- Osho -


Fiz esses brigadeiros de colher, para comer de sobremesa nessa Páscoa. A receita é da rainha das doçuras, Franciele do blog Flamboesa. Suas produções parecem ter saído de Alice no País das Maravilhas, suas fotografias são cheias de carinho, coloridas em tons pastéis. Adoro.

Montei no copinho, com uma colher de geléia de amora, outra do brigadeiro, e polvilhei coco ralado com cacau em pó por cima de tudo. Ficou uma delícia. Feliz Páscoa!


brigadeiro
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Brigadeiro de colher com Geléia de Amora | Receita original do brigadeiro da Flamboesa

cerca de 08 porções em copinhos

  • 395g de leite condensado (1 lata)

  • 01 colher de sopa de manteiga

  • 02 colheres de sopa de cacau em pó

  • 01 pitada de sal

  • 4 colheres de sopa de creme de leite de caixinha para finalizar

  • 08 colheres de sopa de geléia de amora

  • coco ralado e cacau em pó para finalizar

Modo de Preparo

Coloque o leite condensado, o cacau em pó peneirado, a manteiga e o sal em uma panelinha, misture e leve para cozinhar em fogo baixo. Mexa sempre, até cozinhar e desprender do fundo da panela, e chegar ao ponto de brigadeiro de enrolar. Adicione o creme de leite, misture bem e desligue o fogo.

Coloque em uma tigela e cubra com filme plástico, em contato com o doce, para não criar crosta. Espere esfriar totalmente antes de usar. 

Em copinhos de shot, coloque uma colher de geléia, preencha o restante com o brigadeiro. Polvilhe coco ralado e cacau em pó para decorar.